Ajustando as estratégias de matéria-prima para produtores de coque de petróleo calcinado em meio à restrição do fornecimento de coque com baixo teor de enxofre.
Diante da crescente escassez de coque de petróleo com baixo teor de enxofre (teor de enxofre <1%, especialmente coque com teor ultrabaixo de enxofre <0,5%) e da crescente concorrência da demanda por materiais anódicos para baterias de lítio e ânodos pré-cozidos de alta qualidade, as usinas de calcinação precisam mudar suas estratégias de matérias-primas, passando de uma busca exclusiva por baixo teor de enxofre para uma abordagem sistemática de complementaridade de múltiplas fontes, utilização em cascata, substituição tecnológica e mitigação de riscos. O princípio fundamental pode ser resumido nas seguintes diretrizes:
I. Ajuste na estrutura da matéria-prima: de “Totalmente com baixo teor de enxofre” para “Mistura científica de baixo e médio teor de enxofre”
O maior problema do coque de baixo teor de enxofre é que ele é caro e escasso. No passado, as usinas de calcinação tendiam a maximizar o uso de coque de baixo teor de enxofre para garantir a conformidade com os limites de enxofre do produto. No entanto, em um cenário de oferta restrita e preços altíssimos (em 2025, o preço médio do coque de baixo teor de enxofre nº 1 chegou a ter um aumento anual de mais de 57%), essa estratégia não é mais viável.
A estratégia prática consiste em estabelecer um sistema de "mistura de alto e baixo teor de enxofre". Ânodos pré-cozidos e eletrodos de grafite comuns para usinas termelétricas apresentam certa tolerância ao teor de enxofre. Coque com teor médio-baixo de enxofre pode ser misturado com coque com baixo teor de enxofre em proporções específicas (por exemplo, baixo teor de enxofre:médio teor de enxofre = 4:6 ou 3:7) para reduzir significativamente os custos da matéria-prima, atendendo, ao mesmo tempo, aos requisitos de enxofre do produto final. A chave é construir um banco de dados para cada lote de matéria-prima, abrangendo teor de enxofre, matéria volátil, densidade real e elementos traço (V, Ni, Fe, etc.), e utilizar modelos de formulação para calcular com precisão as proporções de mistura, garantindo propriedades físico-químicas estáveis do coque calcinado.
Para as usinas de calcinação, isso significa que o lado das compras deve garantir simultaneamente fontes de coque com teor médio de enxofre (o coque com teor médio de enxofre proveniente de refinarias independentes nacionais representa cerca de 38% do fornecimento total e é relativamente abundante), em vez de concentrar toda a pressão de compras no coque com baixo teor de enxofre.
II. Diversificação dos Canais de Importação: Garantir Fontes Estáveis e Dispersar o Risco Geopolítico
O coque de baixo teor de enxofre produzido internamente representa apenas cerca de 14% da produção total de coque de petróleo (dos quais apenas cerca de 4% apresentam teor de enxofre inferior a 0,5%), enquanto os ânodos para baterias de lítio já consomem cerca de 29% da demanda por coque de baixo teor de enxofre e continuam a crescer rapidamente. A lacuna na oferta interna não pode ser suprida no curto prazo. Portanto, a importação de coque de baixo teor de enxofre permanece um importante complemento, mas as usinas não podem depender de uma única fonte.
As ações específicas incluem:
- Fornecimento multinacional: Além das fontes tradicionais do Oriente Médio e do Sudeste Asiático, concentre-se em origens não tradicionais de coque com baixo teor de enxofre, como Rússia e Azerbaijão. Assine contratos de fornecimento de médio a longo prazo (1 a 3 anos) com um mecanismo de "preço de referência + ajuste flutuante" para garantir um custo mínimo.
- Expandir as importações de coque com alto teor de enxofre como substituto: O coque com alto teor de enxofre tem uso limitado em ânodos pré-cozidos domésticos devido a preocupações com a emissão de SO₂, mas ainda possui mercados em produtos de carbono menos sensíveis ao enxofre, como carbeto de silício e carbeto de cálcio. O coque com alto teor de enxofre do Sudeste Asiático e do Oriente Médio oferece vantagens de preço claras. As usinas de calcinação podem estabelecer linhas dedicadas à calcinação de coque com alto teor de enxofre, visando esses produtos derivados.
- Utilize instrumentos de futuros e opções: faça hedge de 30% a 50% dos volumes de aquisição de importações e utilize hedge cambial para mitigar o risco duplo das flutuações cambiais combinado com a volatilidade de preços.
III. Substituição Tecnológica e Otimização de Fórmulas: Reduzir a Dependência de Coque de Baixo Teor de Enxofre na Fonte
Esta é a direção com maior valor a longo prazo. A essência da escassez de coque com baixo teor de enxofre reside numa mudança na estrutura da procura a jusante — os ânodos para baterias de lítio e os eletrodos de grafite de alta qualidade estão a crescer muito mais rapidamente do que a oferta. Se as centrais de calcinação resolverem o problema apenas no que diz respeito ao fornecimento, continuarão sempre a ser reativas. Precisam também de inovar no âmbito tecnológico.
Diversos caminhos que foram validados ou estão sendo ativamente explorados:
- Mistura de materiais auxiliares para reduzir o uso de coque de baixo teor de enxofre: A adição de grafite reciclado, fibra de carbono e outros materiais auxiliares às formulações de materiais anódicos e produtos de carbono de alta qualidade pode reduzir o consumo de coque de baixo teor de enxofre em 10% a 15%. Simultaneamente, processos aprimorados de calcinação e grafitização podem reduzir ainda mais o consumo de coque de petróleo por unidade em 8% a 10%.
- Substituição parcial por coque de agulhas derivado de carvão: O coque de agulhas derivado de carvão custa cerca de 20% menos que o coque de petróleo, e sua participação em materiais anódicos aumentou de 15% para 28%. Para alguns produtos de alta tecnologia, o uso conjunto em escala industrial de coque de agulhas derivado de carvão e coque com baixo teor de enxofre já é viável. As usinas de calcinação podem construir proativamente capacidade de calcinação de coque de agulhas.
- Grafite natural como alternativa: O grafite natural com revestimento superficial (por exemplo, revestimento de carbeto de silício nanoestruturado) atingiu uma vida útil superior a 2.000 ciclos a um custo 30% menor do que o grafite artificial, e sua participação de mercado cresceu de 15% para 25%. Isso representa uma concorrência direta para as empresas de materiais anódicos que dependem de coque com baixo teor de enxofre, forçando as usinas de calcinação a considerarem seriamente a substituição da matéria-prima.
- Monitorar matérias-primas emergentes, como o biocoque: Embora ainda em fase de validação em escala piloto, o biocoque demonstrou potencial de substituição em alguns produtos de carbono e merece acompanhamento técnico contínuo por parte das usinas de calcinação.
IV. Melhorias na Eficiência da Produção: Utilizar os ganhos de processo para compensar os aumentos nos preços das matérias-primas
O aumento do preço das matérias-primas é um fator externo, mas a taxa de rendimento, o consumo de energia e a taxa de refugo do coque calcinado estão sob o controle da própria usina.
- Melhorar a taxa de rendimento do coque calcinado: Otimizar os parâmetros do processo de calcinação (temperatura de calcinação, tempo de residência, distribuição de ar) para aumentar a taxa de rendimento em 1 a 2 pontos percentuais. Quando os preços unitários da matéria-prima aumentam em algumas centenas de yuans por tonelada, essa melhoria de rendimento de 1% a 2% equivale a uma redução direta no custo unitário da matéria-prima.
- Recuperação de calor residual e gestão de energia: Introduzir sistemas de recuperação de calor residual para reduzir o consumo de energia por unidade e aproveitar a eletricidade fora dos horários de pico e a energia verde para diminuir os custos de energia de produção.
- Gestão digital de estoque: Desenvolva um sistema de monitoramento de preços de matérias-primas para acompanhar os preços à vista e futuros em tempo real e ajustar dinamicamente o cronograma de compras. Reduza o estoque de segurança dos tradicionais 3 meses para 1,5 a 2 meses, diminuindo o capital imobilizado e o risco de queda nos preços.
V. Colaboração na Cadeia de Suprimentos: Unir-se aos Fornecedores e Distribuidores para Compartilhar Riscos
Em um contexto de escassez de coque com baixo teor de enxofre, o modelo de aquisição individual está ultrapassado.
- Estabelecer acordos de preços vinculados com clientes da cadeia de suprimentos: Negociar mecanismos de vinculação entre o preço do coque e o preço do produto com empresas de ânodos pré-cozidos e produtores de materiais anódicos. Quando os preços do coque de petróleo sobem, os preços dos produtos são ajustados proporcionalmente, repassando a pressão de custos para os clientes da cadeia de suprimentos.
- Firmar contratos de longo prazo com refinarias para garantir o volume: Assegurar mais de 50% do fornecimento anual de coque com baixo teor de enxofre por meio de contratos de longo prazo com cláusulas de teto de preço, evitando ser influenciado pela volatilidade do mercado à vista de curto prazo.
- Participar na coordenação do setor: Incentivar as associações industriais a envolverem-se na otimização das políticas de tarifas de importação para reduzir os custos de importação de coque com alto teor de enxofre, expandindo indiretamente o conjunto de matérias-primas utilizáveis.
Conclusão
A escassez de coque com baixo teor de enxofre não é uma flutuação de curto prazo, mas sim uma contradição estrutural de médio a longo prazo (o coque com baixo teor de enxofre produzido internamente representa apenas 14% da produção total, enquanto a demanda por ânodos de baterias de lítio cresce a mais de 10% ao ano). As usinas de calcinação precisam mudar sua estratégia de matéria-prima, deixando de lado a "disputa desesperada por coque com baixo teor de enxofre" e adotando uma abordagem de cinco frentes: "controlar as misturas, diversificar as importações, incentivar substituições, melhorar a eficiência e fortalecer as cadeias de suprimentos". Quem conseguir implementar essa combinação primeiro terá a vantagem no próximo ciclo de matéria-prima.
Data da publicação: 13 de maio de 2026